Marcelo Falcão tem (ligeira) melhora autoral no tom urbano e motivacional do segundo álbum solo, 'O legado'

  • 29/11/2025
(Foto: Reprodução)
Capa do álbum ‘O legado’, de Marcelo Falcão Divulgação ♫ OPINIÃO SOBRE ÁLBUM Título: O legado Artista: Marcelo Falcão Cotação: ★ ★ ★ ♬ Seis anos e nove meses após lançar um primeiro álbum solo em que mostrou pouco fôlego como compositor do repertório autoral, Marcelo Falcão apresenta o sucessor de Viver (Mais leve que o ar), disco lançado em fevereiro de 2019. Em rotação desde quinta-feira, 27 de novembro, o álbum O legado chega ao mundo com marketing calcado na conexão do artista carioca com nomes da geração atual da música brasileira, como os rappers L7nnon, Major RD e Orochi – o que está longe de ser novidade. No longo intervalo entre os dois álbuns, ampliado por rompimento no ligamento dos joelhos que fez Falcão cancelar grande parte da agenda de shows de 2025, o cantor e compositor carioca já veio fazendo feats com nomes como a rapper Cynthia Luz, presente em O legado na faixa Nunca esquecer você. E o fato é que, para bem e para o mal, o álbum O legado já começa afinado com o antecessor Viver (Mais leve que o ar), como já mostra a primeira faixa, Refletir (Resista), parceria do artista com Ademir Custódio gravada por Falcão com Toni Garrido. A pegada da faixa sinaliza que a produção musical, a cargo de Felipe Rodarte, mais uma vez resulta azeitada. Em contrapartida, como o título Refletir (Resista) já insinua, a letra-clichê alinha versos motivacionais como “Não desista sem tentar” e “Acredite nos sonhos”. Contudo, à medida que O legado avança, fica evidente a ligeira superioridade do álbum em relação ao antecessor de seis anos atrás. “Só Deus pode me parar”, avisa Falcão em verso de Vitória (Gabriel Cunha, Kevin Ribas, Lula Queiroga e Marcelo Falcão), música produzida por Kevin Ribas. Primeira boa tentativa de Falcão de virar o disco, a faixa prega fé e união entre o povo das quebradas. Parceria de Falcão com Lula Queiroga, Chora não escancara na sequência a dura realidade de mundo desigual, assunto dominante em Crença & fé, música composta e gravada por Falcão com o rapper L7nnon. Na faixa, produzida por Felipe Rodarte, o álbum O legado se firma como manifesto de fé e firmeza moral diante das adversidades e injustiças cotidianas. Com 11 músicas, o disco está na calcado na sonoridade urbana das ruas, misturando gêneros com rap, rock e – no caso de Falcão – o reggae, ritmo embutido na gênese de faixas como A neblina (Marcelo Falcão), faixa cantada pelo artista com Tales de Polli, vocalista do grupo Maneva. Saudade corrói (Marcelo Falcão e Tubarão Baixada) versa sobre a dor da ausência de alguém que já partiu, lembrando que o poder material desaparece com a morte (“Pra onde a gente vai não dá para passar cartão”) em ideologia reiterada na letra de Visitantes, parceria de Falcão com Ademir Cústódio. A música fala da transitoriedade do ser humano no mundo físico. Aliás, a música-título Legado presta reverência à sobrevivência da Arte de Alexandre Magno Abrão (1970 – 2013), o cantor e compositor paulista conhecido como Chorão, cuja voz é ouvida na faixa através de sample extraído de registro inédito de O errado que deu certo (Chorão, Champignon, Marcão e Renato Pelado, 2004), música do repertório da banda santista Charlie Brown Jr. – da qual Chorão foi vocalista em trajetória paralela à carreira de Marcelo Falcão como vocalista da banda carioca O Rappa. Como cantores dos grupos Charlie Brown Jr. e O Rappa, Chorão e Falcão se tornaram porta-vozes dos sonhos de uma juventude marginalizada pela sociedade brasileira por ter nascido pobre em regiões periféricas. A propósito, ter sido a voz do Rappa até 2017 torna Marcelo Falcão refém das cruéis (mas inevitáveis) comparações com o repertório lapidar lançado pela banda na fase em que contava com letras de Marcelo Yuka (1965 – 2019). Entretanto, o tempo espera por ninguém e Falcão tenta pegar um lugar no presente com O legado, álbum no qual interage com os rappers Orochi (parceiro e convidado de Falcão e lobo) e Major RD, presente em Fela Kuti, faixa apresentada em 13 de novembro como primeiro single do álbum. Produtor da maior parte das faixas de O legado, Marcelo Falcão apresenta um segundo álbum solo um pouco mais sedutor do que primeiro – este calcado em arranjos grandiosos que não conseguiram ofuscar a irregularidade do repertório autoral – mas ainda sem conseguir fazer a diferença como artista solo.

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2025/11/29/marcelo-falcao-tem-ligeira-melhora-autoral-no-tom-urbano-e-motivacional-do-segundo-album-solo-o-legado.ghtml


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